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Coluna do Drumma: É preciso que os torcedores brasileiros aprendam a perder

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Sempre que um atleta brasileiro não cumpre a expectativa sobre ele, ele passa de ídolo a ‘imprestável’

Por: Felippe Drummond Neto

Torcedores brasileiros, por favor repensem a forma como vocês enxergam nossos atletas. Apesar de essa coluna ser sobre MMA, não vou me limitar apenas as artes marciais, afinal o tema será: brasileiro não gosta de esporte, brasileiro gosta de ganhar. 

A derrota de Ronaldo Jacaré para o neozelandês Robert Whittaker no último sábado, evidenciou isso mais uma vez. Nos últimos anos vimos Junior Cigano, Renan Barão, Vitor Belfort e, pasmem, até Anderson Silva e José Aldo, serem tratados como fracassados após uma derrota. 

Levando para outras modalidades, Cesar Cielo (natação), Luciano Correia (Judô), Guga (Tênis) e Ronaldo fenômeno (futebol), também já “pagaram o pato”, após um mísero fracasso. 

Mas o que mais chateia é que por aqui ninguém torce para um atleta competir em alto nível. Se um lutador brasileiro subir no octógono, ele tem a obrigação de ganhar para continuar sendo querido, caso isso não aconteça, diga adeus a sua reputação segundos após o revés. 

E foi assim, no último sábado. Assim que Jacaré foi nocauteado por Whittaker no UFC Kansas, uma enxurrada de críticas ao lutador surgiram. Por mais que a derrota tenha sido um balde de água fria em para o brasileiro que perde terreno na sua tentativa de disputar o cinturão dos médios (84 kg), é preciso aprender que do outro lado o adversário também treina para vencer, tanto quanto, ou mais que os brasileiros. 

Aceita que dói menos

Outra questão que merece ser debatida, é que é diretamente proporcional a este tratamento dado aos atletas brasileiros que falham em suas missões, é a forma como os brasileiros aceitam um resultado contrário ao seu conterrâneo. O brasileiro nunca admite que o oponente foi melhor, é sempre sorte, ou até mesmo falta de treinamento ou vontade do lutador tupiniquim.

Pode acreditar, ninguém no mundo queria mais a vitória que o próprio Ronaldo Jacaré. Ele treinou para isso, se preparou da melhor forma que pode, e com certeza também acreditava que venceria Whittaker. Porém, o neozelandês foi melhor. Simples assim.

E foi isso mesmo que Jacaré reconheceu em uma postagem no Facebook. “Vença com ousadia, perca com classe. Quem não se arrisca a um fracasso, nunca chega a vitória. Sem mimimi. Parabéns, Whittaker! E o meu muito obrigado pela torcida e carinho de quem esteve, está e sempre estará ao meu lado. Em breve estarei de volta, e ainda mais forte!”, disse o brasileiro.

Taticamente Whittaker foi perfeito, frustrando as quedas do brasileiro e mantendo a luta em pé, boxeou de forma perfeita para evitar a aproximação do Jaca até finalmente conectar os golpes que decretaram seu nocaute.

Enfim, essa não foi a primeira derrota de um atleta brasileiro, nem será a última. Só que é preciso que o torcedor brasileiro aprenda de uma vez por todas, que no esporte vitórias e derrotas andam lado a lado, e nem sempre o seu lutador preferido terá seu punho levantado ao final de cada luta. 

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Felippe Drummond Neto

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