Denys Darzi conta a sua história na arte suave

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Treinador ainda falou sobre o Jiu-Jitsu atual, e apontou as principais promessas da modalidade

Por: Denys Darzi

Desde os sete anos de idade meus pais me colocaram para praticar esportes, comecei na natação na Universidade Gama Filho em 1970. Naquela época a Gama Filho tinha a melhor equipe de natação do Brasil. Na época como mirim e depois infantil sempre fiz parte da equipe, participando de competições dentro e fora do Rio de Janeiro. Posteriormente ingressei na equipe de natação do Tijuca Tênis Clube, e mais tarde como jogador de water polo, mas por causa de uma conjuntivite, em 1978, com 14 para 15 anos comecei a praticar Jiu-Jitsu. Lá entro da Kioto, com o Mestre Francisco Mansor sempre treinamos o Jiu-Jitsu clássico, a parte de projeções e também o vale tudo.

Vou contar um caso que aconteceu lá comigo. Um dia apareceu na academia um sobrinho do famoso Waldemar Santana, o Maneco Santana, que chegou logo desafiando todos dizendo que era faixa preta de judô, kung fu, aikidô, Jiu-Jitsu, karatê, etc e que ali ninguém era páreo para ele. Nesse dia, Mestre Mansor, falou para ele esperar que ao final da aula ele poderia fazer um vale-tudo com um de seus alunos. Ao final da aula, mestre Mansor me chamou e disse: quero que você lute com ele e mostre a eficiência do nosso Jiu-Jitsu. Eu concordei, tirei a parte de cima do quimono e o pau comeu.

Finalizei-o algumas vezes e ele nunca se dava por vencido, queria sempre uma revanche, mas depois de uns 40 minutos apanhando ele finalmente aceitou a derrota. Fatos como esse aconteceram algumas vezes, mas depois dos primeiros UFCs, com a fama que o Jiu Jitsu estava ganhando, a coisa piorou um pouco porque atletas de outras artes marciais preocupados por estarem perdendo alunos para o Jiu-Jitsu começaram a desafiar os praticantes da arte suave dentro de suas academias.

Nos anos 80, havia poucas competições, mas a partir dessa época participei daquelas que eram as mais importantes competições. Nos anos 80 e 90 as principais competições que disputei e que conquistei alguma boa colocação foram:

  • Campeão da Liga niteroiense de Jiu-Jitsu faixa como azul
  • Campeão da copa Lightning Bolt Cup como faixa roxa
  • Campeão da Copa Vansport como faixa roxa
  • Vice-campeã copa company como faixa roxa
  • Campeão brasileiro como faixa preta 1998
  • Vice-campeão brasileiro como faixa preta 1999
  • Vice-campeão brasileiro como faixa preta 2003
  • Sempre competi no peso médio ou no meio pesado

Visão sobre o Jiu-Jitsu atual

Ao longo das duas ultimas décadas houve uma incrível expansão do Jiu-Jitsu, é provável que seja o esporte que mais cresceu no mundo nestes últimos anos, e é com certeza o maior produto de exportação cultural do Brasil da atualidade.  A multiplicação do número de praticantes, o surgimento de federações e confederações, o que levou a uma melhor organização do esporte, o patrocínio de empresas, a profissionalização de muitos atletas, as frequentes competições e a criação de um ranking, elevaram o BJJ a outra dimensão.

A combinação dos fatores citados acima levou também a evolução no conjunto técnico do BJJ, embora eu tenha algumas criticas com relação a determinados fundamentos do BJJ, que tem sido deixados de lado por algumas escolas, penso que de um modo geral houve uma grande evolução física e técnica.

O jogo mudou bastante principalmente com a inserção de tantas técnicas novas, em especial as novas técnicas de guarda aberta (worm guard, fifty fifty, guarda X…) e de raspagens e suas variações, provocando uma mudança no comportamento do atleta durante a luta: o jogo ficou muito mais arisco, o lutador tem que ser mais rápido, mais ligado na luta, senão ele não encaixa o seu jogo e acaba perdendo os combates.

Para concluir é preciso dar um destaque a evolução relativa à preparação física. Os atletas hoje tem um condicionamento primoroso, uma alimentação balanceada e voltada para o alto rendimento, acompanhamento médico, fisioterápico e nutricional, tudo isso elevou o Jiu-Jitsu brasileiro a um patamar nunca imaginado pelos grandes mestres Carlos e Hélio Gracie, como confirmado pelo Grande Mestre Hélio num encontro que tive com ele em 2003 na Florida, quando ele me afirmou que nuca imaginou que o Jiu-Jitsu chegasse naquele patamar, imagine se ele visse o nível em que esta atualmente.

Não tenho dúvidas de que esse crescimento se manterá ainda por muitos anos, com o aperfeiçoamento profissional dos atletas e das competições..

Maiores promessas do BJJ mundial

Falar em promessas não é fácil, há tantos talentos surgindo por aí, que fica difícil, mas vamos lá. Embora não seja mais uma promessa, tenho que citar o Buchecha por tudo que ele vem fazendo nos últimos anos, um fenômeno. Nicholas Meregali, no seu primeiro ano de faixa preta conquistou de forma brilhante o título mundial, com certeza ainda conquistará muita coisa.

O Michael Musumeci, Hugo Marques campeão na marrom e promete muito na preta no próximo ano, Igor Paiva, que está num processo de evolução constante e vai dar trabalho a muita gente. No feminino temos que ficar de olho na Jessica Swanson, muito nova ainda, mas com um BJJ afiadíssimo, Julia Boscher que arrebentou este ano finalizando todas as lutas na roxa e que agora vem com tudo na marrom e para finalizar a Jessica Guedry que faturou o peso e o absoluto na roxa no mundial e com certeza fará bonito na marrom.

Estrutura brasileira em relação à americana

Não é com alegria que faço essa comparação, mas negar os fatos é quase impossível. Nos EUA temos condições muito melhores para ir aprimorando e desenvolvendo o esporte, temos lá um sistema feito para funcionar, que remunera de forma justa os professores, que reconhece e valoriza os bons profissionais e o trabalho bem feito, que facilita as coisas para quem quer montar uma academia, além é claro da própria postura do aluno americano: sua pontualidade, determinação, comprometimento e aplicação no estudo do BJJ. Tudo isso eleva o nível da pratica esportiva, não é a toa que eles estão sempre entre os primeiros nas grandes competições esportivas e praticamente em todas as modalidades, e no Jiu-Jitsu não será diferente, vão dar muito trabalho também, basta ver que eles andam chegando junto até no futebol.

  • Informações sobre Denys Darzy
  • Faixa-preta 6º grau
  • Soul Fighters Association
  • Formado pelo Mestre Francisco Mansor.
  • Praticante de Jiu-Jitsu desde 1978 e professor desde 1992.
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Victor Nunes

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