Presidente da CBTKD, Junior Maciel fala sobre o momento do Taekwondo brasileiro

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Alberto Maciel Junior é o mais novo comandante da Confederação Brasileira de Taekwondo

Por: Carla Moreira e MMA Premium

Com o propósito de “rê-estruturar a casa”, Alberto Maciel Junior assumiu recentemente a presidência da Confederação Brasileira de Taekwondo, em um dos momentos mais críticos que o esporte vêm enfrentando no país. Conhecido como Júnior Maciel, o empresário do ramo de academias do estado do Amapá é também profissional de Educação Física e Fisioterapia. Passou por todas as fases da carreira de um esportista. Foi presidente da Federação Amapaense de Taekwondo por dois mandatos, coordenador técnico da Seleção Brasileira Juvenil (2010/2013) onde foi campeão pan-americano e mundial de Taekwondo. Chegou ao topo da carreira de técnico da Seleção Brasileira da modalidade (2014/2016), conseguindo uma medalha olímpica.

Atualmente atua como secretário de esportes do estado do Amapá conciliando com o cargo de presidente da CBTKD. Em um bate-papo com o atual presidente, Maciel conta como vêm dirigindo a entidade e como têm sido este desafio. Confira a entrevista:

Junior Maciel aceitou a missão de “arrumar a casa” (Foto: Divulgação)

Queremos entender o  ‘intuito ‘de Junior Maciel de assumir a CBTKD.

Como alguém que já é bem sucedido em sua área, já conquistou grandes feitos dentro do esporte e é um empresário destaque no seu estado do ramo de academias , resolve assumir a ‘bronca ‘ de tocar uma confederação que enfrenta um dos piores momentos na gestão?

R: Primeiro que tudo que tenho, todas as minhas conquistas e meus melhores momentos como profissional, vêm do taekwondo e dos tatames. Hoje, nesse momento que  a modalidade que tanto amo está precisando, eu estou aqui! Não planejei em nenhum momento estar como presidente, não busquei ser, as coisas aconteceram, e se meu nome foi escolhido para estar fazendo isso, não fujo da responsabilidade, como nunca fugi, o taekwondo precisa de mim e precisa da união de todos.

Sabemos do seu compromisso com a Secretaria de esportes do Estado do Amapá, conte-nos um pouco de como é sua rotina, dividida entre Pres. Da CBTKD e Secretário do esporte no seu estado? E se isso pode influenciar de alguma maneira negativa seu atual cargo na CBTKD? Sendo que o esporte passa por uma situação crítica e precisa de alguém 100% comprometido a frente da presidência?

R: Fui nomeado em dezembro de 2016, pós olímpiada como secretário de esportes no meu estado (Amapá), em seguida no ano de 2017 fui eleito presidente da confederação, ambos não estavam nos meus planos, as coisas aconteceram naturalmente, fruto de muito trabalho. De início foi difícil, mas as coisas foram se ajeitando, conto com uma equipe técnica muito eficiente na qual confio no trabalho e dessa forma consegui conciliar os dois cargos no decorrer do ano de 2017. Com reuniões diárias via internet, e sempre a disposição quando ambos os cargos me solicitaram. Hoje estou largando a secretaria, o processo agora é só de relatórios que estou passando para meu sucessor. Aprendi muito sobre gestão pública e esportiva nesse tempo como secretário, que vai me ajudar muito como presidente da confederação, porém minha rotina era muito corrida, dividida entre Amapá e Rio de janeiro que é onde fica a sede da CBTKD, sendo assim estou entregando o cargo de secretário para focar integralmente na gestão do taekwondo como presidente.

Assim que assumiu e que foi homologado, claro, quais foram as primeiras ações, de “urgência” à frente da CBTKD?

R: Após uma eleição muito conturbada, momento difícil devido a intervenção judicial da CBTKD, tivemos que aguardar mais de dois meses ainda a homologação oficial da eleição. Feito isso, reformulamos o quadro de funcionários, mudamos em quase 99% a equipe para uma nova gestão e tivemos a mudança de sede. A confederação estava com alugueis atrasados em uma sala com valor muito alto, totalmente fora do mercado e das condições da CBTKD arcar, de início ficamos em uma sala cedida pelo COB no Maria Lenk por três meses, economizando assim mais de 60 mil reais entre aluguel e outras despesas, procuramos com calma e nos posicionamos em um novo local, dentro da nossa realidade porém com as mesmas condições de trabalho da antiga sede.

Como avalia o ano de 2017 para a CBTKD e todo Taekwondo nacional?

R: O ano de 2017 como sempre falo, foi um ano de sobrevivência, mesmo com todas as dificuldades e dentro da nossa realidade acredito que foi um ano muito proveitoso, fizemos tudo que estava ao nosso alcance e mais um pouco. Mudamos a sede, mudamos a equipe, demos suporte a equipe juvenil para o panamericano, equipe adulta para o mundial, para alguns atletas no GP. Em virtude de tudo que aconteceu, não só com o Taekwondo mas também com o esporte como um todo no País, 2017 foi dentro do planejado para nova gestão da CBTKD. Resiliência seria a palavra do ano.

Mesmo enfrentando um ano muito difícil, a seleção brasileira de taekwondo viajou para alguns dos principais campeonatos do mundo de taekwondo e obteve bons resultados, isso graças a atitude do COB de custear esses eventos para os atletas. Como você vê essa atitude do COB? Que de certa maneira  “aliviou “a pressão dos atletas sobre a confederação que precisa se reerguer em todos os quesitos para poder dar continuidade aos trabalhos. O COB continuará a custear os eventos internacionais para os atletas da seleção em 2018?

R: Sim, conseguimos cumprir com a agenda de competições do ano de 2017, devido a excecusão dos projetos pelo COB com os recursos da CBTKD , que têm sido um parceiro Fantástico nesse momento que estamos vivendo. Nosso objetivo é dar esse suporte e não deixar faltar nada para nossos atletas e praticantes. Essa parceria com comitê olímpico têm sido fundamental nesse momento e continuaremos trabalhando juntos para que as coisas voltem a funcionar corretamente na entidade.

Como planeja tocar a entidade em 2018, com os recursos da LEI PIVA ainda bloqueados e sendo administrados pelo COB? Lembrando também que a entidade segue sem patrocínio particular. Alguma previsão de que a confederação voltará a receber e administrar suas verbas?

R: O COB segue administrando esse recurso da LEI PIVA do Taekwondo, não tenho problema algum com isso, pelo contrário, me sinto muito confortável trabalhando assim em parceria com o Comitê Olímpico. Temos um objetivo em 2018 que é resolver essa questão da prestação de contas até final do ano, para isso temos apoio total do COB e da nova auditoria que está sendo contratada para nos auxiliar nesse processo. Após isso, quando as coisas voltarem a funcionar dentro da regularidade, torna-se possível e mais fácil o acesso a patrocínios e parcerias para a nossa modalidade.

Conte-nos um pouco dos projetos da confederação para 2018, o que a nova gestão está preparando e o que vêm sendo feito para melhorias na entidade?

R: Pra 2018 temos muitos projetos pela frente, estamos muito bem servidos no nosso departamento técnico com a medalhista olímpica Natalia Falavigna que viveu todos os momentos do esporte, se preparou e hoje esta pronta para assumir a diretoria técnica da confederação. Daremos início ao calendário de competições do ano com o Grand Slam (Seletiva que forma a seleção Brasileira), evento esse que estamos preparando boas surpresas para os atletas e participantes. Temos também a proposta de dar todo o suporte para as federações, na parte administrativa e também levando seminários e eventos para todo País, resgataremos a parte marcial cada vez mais, trazendo mais visibilidade ao Poomsae (São movimentos de ataque e defesa contra um inimigo imaginário num diagrama Pré-Determinado), demonstrações e as outras áreas que a modalidade oferece entre outros, queremos abranger todos os seguimentos da modalidade no geral, atendendo desde atleta, praticante professor e cuidaremos para que todos sejam bem atendidos.

Para encerrar, deixe um recado para comunidade Taekwondista.

R: Resumo em uma palavra, esperança. É o que todos nós temos que ter para buscar um Taekwondo melhor, um esporte e um País melhor. Sempre tive esperança, nunca perdi e nem vou perder!
Trabalhamos ainda hoje com pessoas que infelizmente por interesse próprio agem de forma antagónica, pensando somente em si. Mas graças a Deus temos a maioria que se preocupa no esporte como um todo e acredito que o Taekwondo vai sair desse momento ruim,  com a união de todos vai estar no lugar que merece.

”Juntos Somos mais Fortes “Junior Maciel.

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Victor Nunes

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