Felipe ‘Buakaw’ traça objetivo: “Quero ser o número 1 do Brasil”

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Em entrevista ao MMA Premium, o peso-leve contou que está com trabalho alternativo para garantir a renda durante a pandemia do novo coronavírus e afirma que estará preparado no retorno das competições.

Felipe Buakaw vem crescendo e se destacando no cenário nacional do MMA. O lutador está colhendo muitos frutos desde que escolheu trocar Taubaté por São Paulo em busca do crescimento profissional. A mudança foi grande, sair do interior e chegar na capital é um desafio. Mas hoje, os resultados mostram que valeu à pena.

“Eu comecei a treinar em Taubaté, com meu cunhado. A minha esposa me apresentou a luta, falo que por causa dela que luto hoje. Depois de dois anos fui pra São Paulo, treinar na 011, fiquei três anos…”.

Com um cartel de 18 vitórias e cinco derrotas, hoje o lutador faz parte de uma das maiores equipes do mundo, a ‘American Top Team’ e está próximo de fazer história no SFT – Buakaw pode conquistar o primeiro cinturão da categoria 70kg. Mas o objetivo foi adiado devido à pandemia do novo coronavírus que está impossibilitando a realização dos eventos.

“Era pra eu ter lutado em maio pelo cinturão, nos Estados Unidos, pela categoria 70kg. Estou esperando o adversário, mas agora só quando a pandemia paralisar”.

A rotina após o novo coronavírus

Felipe veio para o Brasil em janeiro, onde lutou pelo SFT, mas optou em não retornar aos Estados Unidos até a situação normalizar. Como havia bastante tempo que não dava aula particular na cidade natal, foi difícil conseguir novos alunos e o cenário atual dificultou ainda mais. Essa paralisação fez com que Felipe buscasse uma saída. O peso leve está trabalhando com entregas por aplicativos e fazendo uma renda da maneira que é possível.

“Resolvi começar um trabalho alternativo, que é a entrega por aplicativos, para ter uma renda até tudo normalizar. Acredito que muitos atletas estão tentando trabalhos alternativos”.

Felipe encontrou no trabalho alternativo uma forma de compensar a renda ‘perdida’ nesse período.

“Depois de muito tempo, comecei a trabalhar para lidar melhor com meus problemas, achar uma solução e trabalhar nisso. E por enquanto foi essa solução que encontrei até tudo normalizar e meus alunos voltarem”.

Os treinos também foram modificados. O lutador diz estar treinando cerca de 50% do que estava acostumado, devido às restrições. Mas, Felipe não deixa de pensar na volta das competições e vai atrás do cinturão do SFT. O objetivo é se tornar o número 1 do Brasil e chegar no topo do ranking do MMA Premium.

“Quando tudo passar, espero conquistar o cinturão do SFT na minha próxima luta e continuar dominando a minha categoria no Brasil até chegar ao número 1 e ficar por lá até assinar um contrato grande com o Ultimate…”.

“Quero ser o número 1 do ranking do MMA Premium e quero ser o número 1 do Brasil. Esse é o objetivo!”.

Felipe está construindo uma história no MMA nacional. E certamente promete muito mais. Em entrevista ao MMA Premium, o lutador falou sobre seu começo nas artes marciais mistas, suas inspirações no esporte, sua chegada na American Top Team, entre outros assuntos. Confira a entrevista na íntegra a fim de conhecer mais sobre a história do Felipe Douglas, o ‘Buakaw’.

Felipe, há quanto tempo você luta MMA e o que te fez investir nesse esporte?

Eu luto MMA desde 2012, vai fazer oito anos. Comecei a competir já pensando em lutar MMA. Eu acho que o que me fez investir no esporte foi a possibilidade de trazer orgulho pra família. Eu como competidor, vi uma maneira de orgulhar meus pais, ainda mais que na família já tivemos problemas com drogas e crime. Sempre gostei de praticar esporte e da maneira como me trazia motivação e energia. De início foi a vontade de orgulhar meus pais e depois também pensei nas realizações que consigo através do MMA, financeiramente acredito que eu consiga trazer uma vida melhor para minha família.

Qual é a razão do apelido ‘Buakaw’?

Quando a gente não gosta muito do apelido, ele pega né? Foi no início, quando comecei a treinar, meu treinador falou que eu era feio igual o Buakaw (lutador tailandês) e pegou. Foi mais pela brincadeira de ser feio igual o Buakaw, não pela técnica.

Você faz parte da American Top Team. Como foi o processo para chegar nos Estados Unidos?

Eu comecei a treinar em Taubaté, com meu cunhado. A minha esposa me apresentou a luta, falo que por causa dela que luto hoje. Depois de dois anos fui pra São Paulo, treinar na 011, fiquei três anos. Através da academia, como Pezão já ia pra a American Top Team e treinava bastante lá, tinha as portas abertas. Pezão e Thiago Moisés, que hoje estão no UFC. Não consegui ir antes pelo fato do meu visto ser negado, mas em 2018 eu pude ir pra lá. Foi a realização de um sonho, acredito que para todo atleta do mundo, que está começando ou com carreira, que chega e vê a galera que te inspirou e que já foi campeã. São vários campeões lá, duas prateleiras repletas de cinturões.

Primeiro dia fiquei congelado, apanhei muito no primeiro treino e todo dia era um aprendizado enorme. Conheci pessoas incríveis, treinadores que tem muita bagagem e renome.  Uma experiência única que vou levar pra vida toda. Passando essa pandemia, vou voltar. Minha intenção é morar lá.

E qual é a sensação de fazer parte de uma equipe admirada no mundo todo?

Não tem comparação. Já foi eleita a melhor equipe do mundo nos últimos anos. Os treinos eram guerra, bem piores que luta. Atletas de toda nacionalidade, russos, europeus, asiáticos. Todo treino era um querendo ‘matar’ o outro. Cada um tem seu sonho. Talvez um motivo que a galera não se sinta bem em equipe grande, seja isso. Porque ali é cada um buscando o seu e era guerra todo dia. Um aprendizado. Fazia amizades, conhecia todo mundo. Era tenso, quando era dia de sparring já tinha que dormir pensando na luta porque parecia ser dia de luta.

Em quem você se inspira no MMA? E por quê?

Me inspiro muito na galera que conheci, morei junto e convivi. Passam uma inspiração enorme pra mim. Pezão e Thiago Moisés, são dois caras que tem uma história incrível de superação e persistência. Atletas que gosto muito e que acompanho o trabalho. Eu acho que tem histórias muito bacanas, já que passamos muita coisa juntos.

No meu jogo, não dá pra negar que me inspiro no Khabib, é um pouco do jogo que faço ultimamente, buscando evoluir. Me inspiro muito também no Anthony Pettis, Max Holloway e Edson Barboza, que treinei muito nos Estados Unidos.

Você já passou por grandes eventos. Qual é sua opinião sobre o cenário dos eventos nacionais atualmente?

Eu acho que os eventos estavam vindo com crescente antes da pandemia. Eu que sou do estado de São Paulo, aqui tem grandes eventos, acho que a galera daqui não pode reclamar. Temos o Future, Thunder, SFT. Eu como sou contratado do SFT, sou suspeito para falar, mas pra mim é o melhor evento da América Latina. Eu já participei de grandes eventos aqui, como Shooto, XFC na época, Thunder, e fora do Brasil também, no Chile. Então pra mim é o melhor evento no cenário hoje em questão de tratamento, divulgação, passa na tv aberta. Também temos o Taura. Resta saber como vai ficar depois da pandemia.

Acho que falta um pouco dos atletas se divulgarem, cada um achar seu ponto de divulgação. Principalmente quem já tem contrato com os eventos. Vejo que muitos atletas não se divulgam.

Então seu foco está totalmente no SFT?

Hoje meu foco é no SFT, sou contratado do evento. Tenho um relacionamento muito bom com o David e Magno. Era pra eu lutar em maio pelo cinturão nos Estados Unidos na categoria 70kg, estou esperando o adversário, mas agora só quando a pandemia paralisar. E só saio do evento pra assinar um grande contrato, como no Ultimate. Estou muito feliz com a proposta do SFT pra mim hoje, com os resultados e visibilidade. A meta é o cinturão e fazer história no evento. Ser o primeiro campeão dos 70kg e quem sabe migrar para outra categoria, para fazer uma história bacana.

Estamos vivendo um período complicado devido ao novo coronavírus. Eventos cancelados/adiados e academias fechadas. Portanto, como você está lidando com essa situação?

Eu vim pro Brasil em janeiro para lutar e tinha uma passagem marcada de volta pra março, mas decidimos ficar devido aos problemas. Fazia mais de um ano e meio que não dava aula na minha cidade (Taubaté) e com tudo isso ficou mais difícil de conseguir alunos para aula particular, com a pandemia caiu muito. Então resolvi começar um trabalho alternativo, que é a entrega por aplicativos, para ter uma renda até tudo normalizar. Acredito que muitos atletas estão tentando trabalhos alternativos.

E os treinos diminuíram bastante, estamos treinando 50% do que estamos acostumados devido às restrições. Estamos treinando sempre com as mesmas companhias.

Depois de muito tempo, comecei a trabalhar para lidar melhor com meus problemas, achar uma solução e trabalhar nisso. E por enquanto foi essa solução que encontrei até tudo normalizar e meus alunos voltarem.

O que podemos esperar de você na volta das competições?

Quando tudo passar, espero conquistar o cinturão do SFT na minha próxima luta. Continuar dominando a minha categoria no Brasil e assim, chegar ao número 1 e ficar por lá até assinar um contrato grande com o Ultimate. Derrubando um por um até chegar no meu objetivo. Quero ser o número 1 do ranking do MMA Premium e quero ser o número 1 do Brasil, esse é o objetivo. Então continuo treinando minha mentalidade e na hora que voltar, estarei pronto.

Uma mensagem que eu deixo pra galera é para olhar o problema como uma oportunidade de evoluir em outras áreas, fazer outras coisas e procurar uma solução, assim podemos achar uma saída.

Felipe Buakaw também participou da LIVE PREMIUM, relembre a seguir:

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