Igor Araújo fala sobre vida na Suíça, política e a crise atual dos atletas em meio a pandemia

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Ex-atleta do UFC ainda falou sobre a vontade de realizar a última luta na carreira e o futuro como treinador de futebol

Por: Victor Nunes

Morando na Europa há mais de 15 anos, Igor Araújo é mais um dos inúmeros exemplos de brasileiros que saíram do país para vencer, e conquistar seu espaço nas mais distintas regiões do planeta. Atualmente na Suíça, onde reside com a esposa e os 3 filhos, o ex-atleta do UFC tem a própria academia no país, onde ministra aula para mais de 200 alunos noa Suíça. Com o estabelecimento fechado há mais de 3 semanas devido a pandemia do coronavírus que atinge o mundo nesse momento, o lutador se mantem isolado assim como boa parte dos brasileiros, enquanto aguarda para voltar a sua rotina normal:

— Aqui não há ordem de quarentena, o pessoal pode sair, mas o governo recomendou que todo mundo ficasse em case. Eu e a minha família já estamos há 3 semana sem sair, fechei a academia um dia antes da recomendação do governo. A escola das crianças também parou, o time em que sou treinador também, só saio para ir à farmácia ou no supermercado atualmente.

Igor Araújo ao lado da família antes da pandemia (Foto: Arquivo pessoal / Igor Araújo)

Somando quase 40 lutas na carreira, Igor Araújo ficou conhecido do grande público ao participar do The Ultimate Fighter 16 nos EUA, e posteriormente ser contratado pelo UFC. Aos 39 anos, o lutador ainda se mantem ativo na arte suave, competindo em torneios com kimono na Europe. De personalidade forte e opiniões políticas que causam debate nas redes sociais, Igor tem se mantido ativo e mesmo de longe, tem acompanhado as medidas que o Brasil tem tomado para conter o COVID-19.

Igor Araújo divide opiniões nas redes sociais (Foto: Arquivo pessoal / Igor Araújo)

Em entrevista exclusiva ao MMA Premium, o atleta falou sobre o atual momento que os atletas vivem em meio a pandemia, revelou o sonho de ser treinador de futebol profissional no futuro e o que acha das medidas que o governo tem tomado atualmente. Confira!

Ser atleta em época de COVID-19

— Acredito que pelo lado do MMA, como os eventos não estão acontecendo, os atletas do UFC, por exemplo, podem sofrer, já que recebem apenas quando lutam, já quem não é de algum evento grande provavelmente tem um renda além do MMA, então é mais tranquilo. Já o pessoal do Jiu-Jitsu, treinadores e lutadores, estão passando por dificuldade, as academias fecharam, não tem seminário, os alunos não estão pagando, quando fechou todos falaram que iam pagar, mas não estão. Já vi até galera vendendo vídeo na internet por 10, 20 euros para se manter. Como já estou aqui há 15 anos, consegui segurar desde janeiro já pensando nisso, mas a academia está fechada, consigo pagar as contas, mas no geral, vejo muita gente passando por dificuldade nesse momento.

Opinião política e portas fechadas na imprensa

— Acredito que fechou bastante, não que eu ligue, mesmo quando lutava no UFC nunca fui ninguém de procurar entrevista, nem nada, as vezes nem atendia pra falar a verdade. Como tenho uma opinião política diferente da imprensa em geral o pessoal não tem me procurado muito não (risos). Sempre exponho a minha opinião no Twitter, Facebook, algumas pessoas até pararam de me seguir, mas não é nada que me atrapalhe, nunca liguei pra isso. Quem abre as portas pra mim é Deus, porém, ainda tem um pessoal mais profissional que me procura.

Carreira no MMA e no Jiu-Jitsu

— O foco principal no momento é o Jiu-Jitsu, tenho uma academia com 200 alunos, estava com a última luta de MMA marcada para o dia 6 de junho, mas foi adiada. Meu foco principal são meus 3 filhos e é graças a academia que consigo levar comida pra casa. Também estou sempre competindo de  kimono, além da última luta da carreira, a quadragésima, que ainda pretendo fazer.

Faixa-preta ao lado dos seus alunos na Suíça (Foto: Arquivo pessoal / Igor Araújo)

Treinador de futebol?

— Já fiz 4 etapas da Federação Suíça de Futebol, a próxima será dentro da UEFA, que também foi adiada, já perdi o segundo semestre da season de agosto, agora não sei quando vai voltar e o que a federação vai fazer, só não vou conseguir por causa dessa pausa. Quando pegar o diploma da UEFA meu objeto profissional é sem dúvida seguir como treinador e ver onde vai dar. Quero treinar uma equipe profissional, não necessariamente no Brasil, pode ser na Europa, onde o futebol também é enorme, de repente começar aqui e depois ir para o Brasil, o futuro a Deus pertence, quero me preparar, me qualificar e depois ver o que acontece. Onde o desafio for mais complicado é onde quero ir, vou ser treinador de futebol profissional e isso vai acontecer em breve.

O governo brasileiro visto de fora

— Como eu acompanho tudo, estou gostando, tenho amigos na Itália, na Alemanha, moro na Suíça, todos esses governos estão bem omissos, com medidas que já estão deixando a população sem paciência, dizendo apenas para ficarem em casa e não apresentam nada de novo. Já pelo que vejo do governo brasileiro, está bem ativo, depois que o Bolsonaro e o governo brasileiro começaram a dar enfase ao tratamento com hidroxicloroquina e azitromicina os outros países, inclusive a França, que tinha virado as costas para um dos pioneiros desse tratamento aqui na Europa, começou a abrir olhos para esses medicamentos. A França curiosamente só começou a dar ênfase no dia seguinte ao G-20, quando o Brasil foi um dos principais defensores. Estou gostando das ações do governo, infelizmente o Brasil está muito conturbado pelo papel da oposição, é um país muito complicado, não é a mesma coisa da Europa, mas o governo está bem atuante, acho que todas as medidas que o Bolsonaro tomou até agora estão sendo muito coniventes, indo de acordo ao que o Brasil precisa.

Saúde ou economia?

— Assim que surgiu tudo mandei para amigos que serviram o exército juntos ficarem em casa, mas vários me responderam,: “se eu ficar em casa quem vai colocar comida na minha mesa”. Outro me disse “que prefere morrer de coronavírus do que deixar os filhos morrerem de fome”, acabou, não tive mais nada pra falar.

Exemplo para ser seguido no Brasil

— Com certeza poucas lições, porque o Brasil é muito diferente da Europa. Acham que cada lugar deve agir da mesma forma que a China agiu, mas é muito complicado, os países precisam tomar decisões particulares. A Suíça por exemplo e a França, um país faz fronteira com o outro, e as medidas são completamente diferentes dos dois países. Na Itália é outra, na Alemanha outra, a Suécia por exemplo continua normal. Cada país está tomando decisões de acordo com a sua população, tamanho, e suas necessidades. Acredito que o Brasil está no caminho certo, sou a favor de todo mundo ficar em casa, quem pode, fechar as escolas, as universidades, e deixar o pessoal que tem que trabalhar, trabalhar. Na Alemanha por exemplo, só fecharam escolas e universidades, é uma boa lição, a contaminação vai ser menor, apesar que as pessoas que vão acabar levando o vírus para casa. O que o brasileiro não entendeu ainda é que grande parte da população no Brasil vai ser contaminada, 70, 80%. O que precisa é impedir que o sistema de saúde seja sobrecarregado, quem pode ficar em casa, que fique, quem não pode, que trabalhe, porque no fim das contas as pessoas também que comer.

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Redação MMA Premium

Com uma equipe de redatores formada por estudantes e graduados na área de comunicação, buscamos trazer o que há de mais recente e curioso no mundo das artes marciais mistas.