Taura MMA 9: Cris Macfer fala sobre sua sexualidade e preconceito no MMA

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Atualmente, Cris Macfer divide sua jornada em muitas atribuições, entre elas ser um grande nome do MMA nacional. Além de vitórias, Cris Macfer busca quebrar muitas barreiras no MMA brasileiro.

Atleta do Team Macfer, Cris revelou ao MMA Premium ser um homem trans, ainda que não transicionado, fato esse que pode gerar muita polêmica no MMA nacional. Vide o caso de Fallon Fox que gerou muito comentários, inclusive de nomes como Paulo Borrachinha.

Ademais, o próximo desafio de Cris Macfer no MMA será em Gramado, na Serra Gaúcha perante a ex-Bellator Bruna Vargas. O duelo será no Taura MMA 9, evento presidido por Djônatan Leão, no dia 15 de março, com transmissão ao vivo do Canal Combate.

Assim, Cris Macfer conversou com o MMA Premium sobre os diversos aspectos de sua carreira:

Cris, você possui uma questão muito mais profunda do que somente o cage hoje em dia. Como a questão de sexualidade e gênero pode impactar na sua carreira e sua vida?

Ser um homem trans, ainda que não transicionado (não passei por nenhuma intervenção hormonal ou cirúrgica ainda) é algo complexo e desafiador. Para trazer isto à tona em meio ao processo de ascensão da  minha carreira no M.M.A., me instruí acerca desta temática, me embasei cientificamente (algo que resultou em meu Trabalho de Conclusão de Curso para a Universidade Federal de Viçosa), e me respaldei através de contatos específicos aos quais pudesse recorrer caso preciso fosse.

Para cada passo que dou, seja como profissional de Educação Física, professor de Artes Marciais, como líder e Head Coach da Escola de Artes Marciais Team Macfer, presidente do Instituto Macfer ou atleta profissional de M.M.A., preciso ter cuidado redobrado, tendo em vista a grande tendência que tenho de ser julgado e resumido por minha condição de gênero.

O preconceito é algo muito presente no esporte?

Infelizmente, é algo que ainda incide no M.M.A.. Mas quando falamos de “preconceito”, não necessariamente estamos falando de um público específico. Este ocorre com as mulheres, com o público LGBTQI, tal como com equipes menos conhecidas, atletas iniciantes, e até mesmo segundo a nacionalidade.

Você foge um pouco da regra geral do MMA sendo formado e discutindo abertamente diversos pontos. A instrução é o melhor caminho para a evolução do esporte?

Não apenas do esporte, mas de todos os aspectos que envolvem a nossa sociedade. A ausência de conhecimento acerca de qualquer temática gera resistência, preconceito, medo, e, consequentemente, traz à tona respostas extremamente negativas e que, por vezes, se tornam violentas e geram transtornos irreparáveis.

 Até os 12 anos de idade, tinha em mente cursar Direito. Queria colaborar para um mundo mais justo e com mais equidade. Após iniciar a prática de Artes Marciais, aos 13 anos, e me dar conta de que queria isto para minha vida incluso profissional, busquei me instruir para que pudesse me tornar um Artista Marcial preparado para transmitir conhecimento de forma adequada.

Ingressei no curso  de Educação Física em uma faculdade particular e, após prestar vestibular 6 meses depois, estava dentro de uma das maiores universidades do país e do mundo! Isto fez toda a diferença em todos os aspectos da minha vida. Sou um ser humano melhor graças à isto.

Cris Macfer, como vê o cenário do MMA nacional hoje e o que podemos aprimorar?

Nosso país é repleto de talentos dentro e fora do M.M.A.! Temos bons atletas, equipes bem estruturadas e organizadores de eventos verdadeiramente visionários. O que falta em nosso meio é algo que está em falta em todo o mundo: Empatia e respeito mútuo.

 Não ouso generalizar. Para absolutamente tudo existem  exceções. Mas o que vejo em muitos casos é uma relação de profissionalismo unilateral, onde temos situações em que o evento é muito bem organizado, valoriza os atletas e estes demonstram um imenso amadorismo, tal como temos também equipes extremamente empenhadas em seguir à risca tudo o que o é necessário para uma carreira de sucesso, e encontram pela frente eventos que definitivamente não fazem jus à estes esforços.

 O dia em que formos mais empáticos, e eventos e atletas trabalharem juntos de forma profissional e entregando o seu melhor àquilo que estão fazendo, nossos problemas reduzirão substancialmente.

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Sobre sua luta, como se preparou e o que sabe sobre a sua oponente?

Como artista marcial busco ser, a cada dia, mais completo. Escolhi 4 Artes Marciais para me dedicar ao longo da vida (sou faixa-preta 2° DAN de Hapkido Won Kisul pela International Federation of Korean Martial Arts, faixa-preta de Jiu-Jitsu da Linhagem Fadda através do Mestre Edmilson Alves, prajied preto de Muay Thai e treinador reconhecido pela Pairojnoi Muay Thai International Federation e faixa-preta em homologação de Taekwondo Tradicional também pela IFKMA).

 Minha oponente é integrante de uma das maiores instituições do mundo, e isto, por si só, é algo que nos traz a necessidade de ter atenção redobrada. Independentemente de como o combate se desenvolver, buscaremos manter a Essência Marcial que tanto prezamos e buscamos disseminar por onde passamos, e persistência e resiliência são características que não deixaremos se esvair.

Deixe um recado para os fãs.

Agradeço imensamente à todos aqueles que nos acompanham e torcem por nós! Haja o que houver, busquem sempre trazer ao mundo sua melhor versão para que, pouco a pouco, tenhamos um mundo melhor. Para além de títulos, medalhas, cinturões ou graduações, que as Artes Marciais sejam sempre sinônimo de evolução pessoal! Temos um encontro marcado no dia 15/03 no maior evento de M.M.A. do país: Vejo vocês no TAURA M.M.A. 9! Forte abraço!

O Taura MMA 9 será dia 15 de março, com transmissão ao vivo do Canal Combate.

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About Author

Claiton Freitas

Um jovem gaúcho apaixonado pelo mundo das artes marciais mistas.